Ritmos

Histórico dos ritmos:

Os ritmos afro-latinos, incluindo muitos gêneros da música brasileira, possuem uma ligação intrínseca, fruto de uma matriz africana comum. No Brasil, no Caribe e por toda a América a presença negra (graças à escravidão no período colonial) exerceu influência determinante na musicalidade; em cada país a rítmica africana agregou elementos musicais de diferentes etnias a influências européias e indígenas, dando origem a diversos estilos e gêneros musicais.

O hibridismo da música latina nasce dessa fusão, que resulta numa rica e vasta musicalidade, baseada na relação entre ritmo, canto e dança. Como cultura popular, os ritmos e gêneros dialogam entre si, e muitas vezes se fundem em novos estilos. Algumas células rítmicas são comuns a diferentes linguagens, embora cada uma possua seu “sotaque”. Com a evolução da mídia e dos meios de comunicação, os gêneros sofreram novas influências, acentuando a troca de informações musicais entre eles, incorporando influências díspares, antes inacessíveis.

Cada povo tem sua cultura musical. No Brasil cada região emana sua musicalidade calcada no convívio das heranças negras, européias e indígenas: samba, coco, maracatu, baião, frevo, ijexá, música caipira, choro… é uma variedade incomensurável, tão grande quanto o território brasileiro.

A música e a cultura popular se mostram vivas, dinâmicas e transformadoras, basta sabermos vivenciá-las e acima de tudo respeita-las.

Segue uma breve descrição de alguns ritmos que influenciam e fazem parte do trabalho da ALCALINA, que se propõe a tocar, além do samba, “versões adaptadas” de alguns gêneros, tradicionalmente tocados em contextos diversos e com instrumentação diferenciada.

 

Ritmos

Samba

Este verdadeiro universo conhecido por samba teve origem nas manifestações musicais dos negros africanos que vieram para o Brasil durante o período da escravidão. Cada etnia africana trouxe uma bagagem cultural e musical, que aqui passaram a conviver e dialogar, principalmente nas regiões que concentravam maior número de escravos. O termo samba inicialmente designava qualquer manifestação musical dos negros, geralmente associadas à presença da percussão e coreografia da umbigada. No Rio de Janeiro dos primeiros anos do século XX o samba se definiu como gênero nas casas das Tias Baianas (como a Tia Ciata), na região da Saúde, através da mistura de elementos do choro, dos versos improvisados e introdução de percussão mais “pesada” (antes relegadas aos terreiros).

Ao longo da história o samba se mostrou um gênero extremamente dinâmico e sempre se adaptou a novos cenários sociais e políticos, incorporando novos instrumentos e linguagens, se desdobrando em samba de partido alto, samba de roda, samba de gafieira, samba de breque, samba de terreiro, samba enredo, samba reggae, samba rock, entre muitos outros. Como base o samba tem a marcação grave no segundo tempo do compasso 2 por 4, o balanço da condução de semicolcheias e a rítmica sincopada.

Nas escolas de samba o ritmo passou a ser desenvolvido pelas baterias, conjuntos que acompanhavam o canto, a dança e a evolução dos componentes das agremiações. Surgidas como pequenos grupos de percussão nas primeiras escolas do fim da década de 1920 (a Escola Deixa Falar, do bairro do Estácio foi a pioneira), as baterias cresceram e acompanharam a transformação das agremiações e do carnaval carioca, que serviu de modelo para o surgimento de escolas de samba em todo o Brasil, com destaque para São Paulo. Atualmente algumas baterias possuem cerca de 300 ritmistas, e cada uma apresenta diferentes características musicais que se distinguem pela afinação, andamento, quantidade de instrumentos por naipe, batidas e breques. Os instrumentos mais comuns nas baterias são surdos, caixas, repiniques, tamborins, chocalhos, cuícas, agogôs, recos e frigideiras.

A batucada ALCALINA se desenvolve através desta formação consagrada de bateria e o samba é o ritmo base do grupo. A bateria toca samba cadenciado (com andamento lento), samba altaneiro (com andamento mais acelerado, estilo samba enredo, ou samba rasgado), samba reggae e, através da mistura de elementos musicais do samba de bumbo paulista, criou o apelidado “samba do crioulo doido”.

 

Maculelê

O maculelê é uma dança de origem Afro-indígena: trazida pelos negros da África para o Brasil foi mesclada com elementos da cultura indígena.
Os africanos diziam que esta dança era mais uma forma de luta contra os horrores da escravidão e do cativeiro. Enquanto os negros dançavam com os cepos de cana no meio do canavial, cantavam músicas que evidenciavam o ódio pela situação de opressão em que se encontravam. Eles cantavam em dialetos africanos para que os feitores não entendessem o sentido das palavras. Assim como a “brincadeira de Angola” camuflou a periculosidade dos movimentos da capoeira, o maculelê também era uma maneira de esconder os perigos das porretadas desta dança.
O maculelê pode ser feito com porretes de pau, facões ou facas, que são batidos uns aos outros. Alguns grupos o praticam com tochas de fogo ou “tições” retirados na hora de uma fogueira posicionada no meio da roda, junto aos dançarinos.
Dessa forma o maculelê se configura como um bailado guerreiro desenvolvido por homens negros, que compreende dançadores e cantadores, comandados por um mestre denominado “macota”.
A banda que embala os dançarinos é composta por atabaques, pandeiros, agogôs, chocalhos e às vezes violas de doze cordas.

Na BATERIA ALCALINA o maculelê é representado por um ritmo bem marcado, muito forte e vibrante. O som dos bastões são reproduzidos pelos tamborins e chocalhos, as caixas, surdos e repiniques interpretam uma batucada que remete aos atabaques, e os agogôs de 4 bocas tocam uma célula bastante característica desta manifestação, inspirada no ritmo de congo de ouro.

 

 

Ritmos

Samba Reggae

Esta denominação foi assumida e divulgada pelo Bloco Olodum desde meados da década de 1980, e se refere a um tipo de samba desenvolvido na capital soteropolitana pelos blocos afros, com influência marcante do samba duro, samba de roda, toques de candomblé e ritmos caribenhos, como a salsa e o reggae. Destaque para o pioneiro bloco afro Ilê Aiyê, um dos que mais preservou suas origens, tendo Vovô à frente de sua bateria. Outro mestre que marcou a história desse estilo foi Neguinho do Samba, na bateria do Olodum.

Os blocos afros surgiram em meados da década de 70 como uma manifestação de afirmação étnica no carnaval popular soteropolitano. Com influência dos blocos de afoxé, blocos de índio e escolas de samba de Salvador, os blocos afros desenvolveram uma maneira particular de tocar samba com suas baterias, formadas basicamente por surdos, repiniques, caixas e timbaus. O ritmo e a dança estão intimamente ligados, num reflexo claro da africanidade desta música.

A BATERIA ALCALINA desenvolve algumas batidas de samba reggae, com variações apelidadas de merengue (em referência ao ritmo homônimo típico da República Dominicana), pigdum (apelido advindo da onomatopéia das células rítmicas dos surdos), Ilê (em referência a uma batida bastante usada por este bloco) e salsa reggae (uma batida que mistura elementos de ambos os gêneros caribenhos).

 

Coco

Dança típica das regiões praieiras é conhecida em todo o Norte e Nordeste do Brasil. Alguns pesquisadores afirmam que ela nasceu nos engenhos do interior, vindo depois para o litoral. A maioria dos folcloristas concorda, no entanto, que o coco teve origem no canto dos tiradores de coco, e que só depois transformou-se em ritmo dançado. Há controvérsias, também, sobre qual o estado nordestino onde teria surgido, ficando Alagoas, Paraíba e Pernambuco como os prováveis berços do folguedo.
O coco, de maneira geral, apresenta uma coreografia básica: os participantes formam filas ou rodas onde executam o sapateado característico, respondem o coco, trocam umbigadas entre si e com os pares vizinhos e batem palmas marcando o ritmo. A dança tem influências dos bailados indígenas dos Tupis da Costa e também dos negros, através dos batuques africanos. Apresenta, a exemplo de outras danças tipicamente brasileiras, uma grande variedade de formas, sendo as mais conhecidas o coco-de-amarração, coco-de-embolada, balamento e pagode.
Os instrumentos mais utilizados no coco são os de percussão: ganzá, bombos, zabumbas, caracaxás, pandeiros e cuícas. O ritmo contagiante do coco influenciou muitos compositores populares como Chico Science e Alceu Valença.

A BATERIA ALCALINA adaptou este ritmo a sua instrumentação típica de escola de samba, transpondo células rítmicas características para seus instrumentos. O resultado é bem interessante e o grupo interpreta duas variações do ritmo. Além disso a bateria canta e dança o coco marcando na palma da mão, buscando se aproximar da manifestação tradicional desta música.

 

 

Ritmos

Afoxé

O Afoxé é a manifestação de rua do ritmo, canto e dança do Ijexá. Este termo que originalmente remete a uma nação de candomblé e uma etnia africana, designa um ritmo de candomblé tocado principalmente para os orixás Oxalá, Oxum e Logum Edé. Sua instrumentação tradicional é formada por atabaques (rum, rumpi e lé), agogô (gã) e xequerê. Os blocos de afoxé colaboraram para a disseminação deste gênero fora do contexto religioso dos terreiros e alguns artistas da MPB utilizaram o ijexá como matriz rítmica para suas composições, como Gilberto Gil e Caetano Veloso.

Na ALCALINA, um grupo de rua, é chamado de afoxé o ritmo de ijexá adaptado para sua instrumentação típica de bateria de escola de samba, em respeito ao candomblé e todas as religiões afro brasileiras.

 

 

 

 

 

 

  

Ritmos

Funk

O funk foi desenvolvido por músicos norte americanos na década de 60, a partir de uma maneira peculiar de interpretação musical. A palavra funk tinha uma conotação sexual e aos poucos ganhou espaço como estilo musical, caracterizado pela repetição de frases (riffs) simples e altamente dançantes. O funk teve o Soul, o R&B e o jazz como matrizes.

No Rio de Janeiro, a partir do início da década de 80 alguns bailes funks promoviam o gênero norte americano e aos poucos os DJ’s brasileiros incorporavam a batida do Miami Bass em suas vitrolas e criavam letras em cima desta base, dando origem assim ao funk carioca. Na década de 90 a bateria da escola de samba Viradouro, então comandada por Mestre Jorjão, fez uma paradinha funk, influenciada pela massificação do gênero entre a população dos morros cariocas.

A BATERIA ALCALINA interpreta 3 variações do estilo: funk cadenciado (com andamento mais lento), funkaribe (com elementos de salsa) e o chamado “Everybody Dance Now”, em referência à consagrada canção homônima.

 

 

 

 

 

 

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Afros

A denominação “afro” é bastante genérica e no caso da ALCALINA remete a duas variações rítmicas interpretadas pelo grupo calcadas na linguagem africana. O Afro em 12/8 e o Afro Mix utilizam células híbridas, típicas da musicalidade negra. A alternância de uma variação para a outra remete à musicalidade mandingue do oeste africano (região da Guiné, Mali etc).

A interpretação desses ritmos cria um ambiente sonoro polirrítmico bastante interessante, evidenciando a influencia africana na musicalidade da bateria.


Os instrumentos mais utilizados no coco são os de percussão: ganzá, bombos, zabumbas, caracaxás, pandeiros e cuícas. O ritmo contagiante do coco influenciou muitos compositores populares como Chico Science e Alceu Valença.

A BATERIA ALCALINA adaptou este ritmo a sua instrumentação típica de escola de samba, transpondo células rítmicas características para seus instrumentos. O resultado é bem interessante e o grupo interpreta duas variações do ritmo. Além disso a bateria canta e dança o coco marcando na palma da mão, buscando se aproximar da manifestação tradicional desta música.

 

 

Moribayassa

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